O relatório WASDE do USDA divulgado hoje trouxe poucas alterações e manteve viés neutro para as commodities agrícolas em Chicago, com o balanço de oferta e demanda da soja dos EUA inalterado, frustrando expectativas de parte do mercado que especulava um possível aumento das exportações após declarações recentes de Donald Trump, ainda não oficializadas nem confirmadas pela China.
Para o milho nos EUA, os estoques finais da safra 2025/26 foram reduzidos em 100 milhões de bushels, enquanto as exportações foram elevadas em igual volume, para 3,3 bilhões de bushels; na América do Sul, o USDA elevou a produção de soja do Brasil em 2 milhões de toneladas, para 180 milhões, alinhando-se às estimativas do mercado regional, e aumentou a projeção do Paraguai em 0,5 milhão de toneladas, para 11,5 milhões, o que, se confirmado, representará safra recorde, mantendo inalterado o balanço da China.
Antes da divulgação do relatório, os futuros agrícolas operavam mistos, com soja em alta de 9 a 10 centavos, milho em leve avanço de 1 a 2 centavos e trigo em pequenas baixas próximas de 1 centavo; após os dados, a soja devolveu parte dos ganhos, mas rapidamente reabsorveu as informações e retornou aos níveis anteriores, enquanto milho e trigo praticamente não reagiram, encerrando o pregão com soja em forte alta, milho estável e trigo em leve baixa.
Na avaliação da Labhoro, o mercado tende a se concentrar agora nas condições climáticas da América do Sul, as quais apresentam um quadro misto, porém em geral favorável, diante da recuperação da umidade do solo na Argentina e de chuvas ainda escassas no RS, enquanto o tempo mais seco previsto para a próxima semana no Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul deve favorecer o avanço da colheita de soja e o plantio do milho safrinha.
Soma-se a esse cenário a possibilidade de maior demanda chinesa pela soja 25/26 dos EUA, uma vez que o USDA destacou, em seu texto de abertura, que a China estaria considerando ampliar as compras de soja de origem norte-americana, embora tenha mantido inalterado o quadro global de comércio da oleaginosa. O mercado passa a aguardar o Outlook Agrícola dos EUA, que ocorrerá nos dias 19 e 20 deste mês, trazendo as primeiras projeções de intenção de plantio para a safra 26/27 dos EUA.
Segue abaixo um descritivo dos dados chave atualizados hoje pelo USDA:
O USDA não promoveu ajustes no balanço de oferta e demanda da soja 25/26 dos EUA, mantendo a área colhida em 80,4 mi acres, a produtividade em 53 bu/acre e a produção em 4.262 mi bu. Os estoques finais ficaram em 350 mi bu, levemente acima da expectativa do mercado de 348 mi bu, mantendo um quadro fundamentalmente neutro para a oleaginosa.
Em relação ao milho 25/26 nos EUA, o órgão manteve a área colhida em 91,3 mi acres e a produtividade em 186,5 bu/acre, preservando a produção recorde em 17,02 bi bu. O único ajuste ocorreu nos estoques finais, que foram reduzidos para 2,127 bi bu, frente aos 2,227 bi bu do relatório anterior, em movimento contrário ao consenso, que projetava alta para cerca de 2,250 bi bu.
Em relação ao trigo dos EUA safra 25/26, a área colhida foi mantida em 37,2 mi acres, com produtividade em 53,3 bu/acre e produção em 1,98 bi bu, sem alterações. Os estoques finais, contudo, foram elevados para 931 mi bu, acima dos 926 mi bu do relatório anterior e das expectativas do mercado (916 mi bu), que indicavam leve recuo.
Para o Brasil, o relatório do USDA estimou a produção 25/26 de soja em 180 milhões de toneladas métricas (mi TM), um aumento de 2 milhões frente ao relatório anterior. O mercado projetava o dado em 179,4 mi TM, frente ao 178 mi TM projetado no relatório anterior. A produção de milho brasileira permaneceu inalterada em 131 mi TM, enquanto o mercado esperava um aumento para 132,8 mi TM. A produção de trigo foi mantida em 8 mi TM.
Na Argentina, as estimativas de soja e milho foram mantidas em 48,5 mi TM e 53 mi TM, respectivamente, apesar do mercado esperar algum corte no milho diante das adversidades climáticas observadas em janeiro. A produção de trigo foi elevada para 27,8 mi TM, acima dos 27,5 mi TM de janeiro e mais alinhada às projeções dos órgãos locais.
Em nível global, os estoques finais de soja 25/26 foram projetados em 125,51 mi TM, em linha com o mercado e 1,10 mi TM acima do número anterior. Os estoques finais de milho ficaram em 288,98 mi TM, queda de 1,93 mi TM frente ao relatório passado e abaixo das expectativas em 1,97 mi TM. Já os estoques finais mundiais de trigo recuaram para 277,51 mi TM, 0,74 mi TM abaixo do número anterior e também abaixo do consenso.